fabiobenetti, 2019.  

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Fabio Benetti

Ao contrário do rigor e racionalidade extremos que seu antigo ofício como advogado tributarista lhe exigia, o pintor Fabio Benetti há muito se projetou como autodidata no universo de sua pintura. Soma aos cursos que frequentou e acumulou, na maioria voltados à arte contemporânea, o ímpeto ou impulso natural à sua personalidade interna e externa: o acaso assumindo a bússola sensorial como orientador de seus traços. É no acaso, também, que a confecção e mistura de suas cores vibrantes e tensas emergem para a tela onde se entrechocam. Não há um esboço pré-estabelecido, tampouco um tema estipulado de antemão. Tudo se configura e emaranha no próprio momento da criação, à mercê do humor volúvel do pintor.

Esse processo perpassa ainda pela compulsão com que Benetti aspira vivenciar os sentimentos mais sinceros e abruptos que falam à alma humana e tão somente à alma humana – e por isso muitas vezes inexprimíveis, fazendo-o lançar novas cores umas contra as outras em uma dança livre e fluida de comprimentos de ondas. É como se a paleta que compõem os diversos matizes de seus quadros fosse o sangue vertido de suas veias após apunhalar a si mesmo com o pincel, rasgando a própria pele e deixando um espaço, uma fenda, por onde sua alma possa, então, se comunicar com o mundo exterior.

Ricardo Belíssimo

Ser orientador de um artista como Fábio Benetti é um exercício constante de empatia e afeto.
Um árduo trabalho de observação e dialogo é necessário para vislumbrar, distinguir e separar o que é técnica, forma e conteúdo das obras desse maravilhoso criador alquímico.
A energia está presente em cada decisão. Uma energia emocional que se reveste de elementos e reações químicas. 
Descobri cedo que formatar deste artista, isto é, sistematizar, formular e domesticar o processo criativo de Fábio Benetti, em pró de um diálogo mais detalhado e rico, estaria matando sua criatividade, inibindo sua arte e não ajudando em seu progresso.
Assim, me converti em um orientador-semeador de conceitos. Esperei pacientemente que cada semente não se malograra. Que sempre germinasse, ainda que os tempos dependessem sempre da “terra fértil” deste querido artista. Mas, é muito satisfatório ver como agora a colheita é farta.

Raul Boledi