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TEXTOS:

Ao contrário do rigor e racionalidade extremos que seu antigo ofício como advogado tributarista lhe exigia, o pintor Fabio Benetti há muito se projetou como autodidata no universo de sua pintura. Soma aos cursos que frequentou e acumulou, na maioria voltados à arte contemporânea, o ímpeto ou impulso natural à sua personalidade interna e externa: o acaso assumindo a bússola sensorial como orientador de seus traços. É no acaso, também, que a confecção e mistura de suas cores vibrantes e tensas emergem para a tela onde se entrechocam. Não há um esboço pré-estabelecido, tampouco um tema estipulado de antemão. Tudo se configura e emaranha no próprio momento da criação, à mercê do humor volúvel do pintor.

Esse processo perpassa ainda pela compulsão com que Benetti aspira vivenciar os sentimentos mais sinceros e abruptos que falam à alma humana e tão somente à alma humana – e por isso muitas vezes inexprimíveis, fazendo-o lançar novas cores umas contra as outras em uma dança livre e fluida de comprimentos de ondas. É como se a paleta que compõem os diversos matizes de seus quadros fosse o sangue vertido de suas veias após apunhalar a si mesmo com o pincel, rasgando a própria pele e deixando um espaço, uma fenda, por onde sua alma possa, então, se comunicar com o mundo exterior.

RICARDO BELÍSSIMO

 

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Ser orientador de um artista como Fábio Benetti é um exercício constante de empatia e afeto.

Um árduo trabalho de observação e dialogo é necessário para vislumbrar, distinguir e separar o que é técnica, forma e conteúdo das obras desse maravilhoso criador alquímico.

A energia está presente em cada decisão. Uma energia emocional que se reveste de elementos e reações químicas. 

Descobri cedo que formatar deste artista, isto é, sistematizar, formular e domesticar o processo criativo de Fábio Benetti, em pró de um diálogo mais detalhado e rico, estaria matando sua criatividade, inibindo sua arte e não ajudando em seu progresso.

Assim, me converti em um orientador-semeador de conceitos. Esperei pacientemente que cada semente não se malograra. Que sempre germinasse, ainda que os tempos dependessem sempre da “terra fértil” deste querido artista. Mas, é muito satisfatório ver como agora a colheita é farta.

RAUL BOLEDI​

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Benetti é um artista brasileiro que utiliza a força de suas pinceladas para denunciar a própria inquietude com o universo das leis. Suas pinturas-colagens representam a materialidade do aqui e agora, a viscosidade das formas-pensamento, as variações de vibrações-cor inatas à tentativa de encontrar equilíbrio entre ordem e caos.

 

O artista segue um caminho autodidata por mais de 20 anos, paralelo à profissão de advogado. Em 2015, inspirado pelos questionamentos de suas buscas existenciais e espirituais, muitas delas amparadas pelo universo da física quântica, filosofia, alquimia, arquitetura e por rupturas pessoais, decide abandonar o Direito para se dedicar exclusivamente à prática de ateliê. Produz neste período de transição, uma série de quadros que são uma crítica às estruturas que a sociedade ocidental construiu para solucionar questões de ética e justiça, na revisão de valores que verdadeiramente promovam igualdade. Neste mergulho ou tentativa de fuga, Fábio transborda em uma experiência performática de dois anos, trabalhando como mestre de obras no interior de São Paulo, sem ser identificado como proprietário e autor da obra. Neste período, manipulou lama, lodo, lixo, areia, cimento, entulhos, cargas pesadas materiais e seu contra senso, as mais leves cargas emocionais. Desta catarse reaproxima-se da simplicidade e beleza do sentido da palavra, ‘humanidade’.

JULIANA FREIRE​

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2020 Fabio BenettI